segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Seu Tonho falando de política

Da última vez que falei com seu Tonho lembro-me de haver deixado um cartão com meu endereço, telefone e principalmente, o e-mail. Tinha esperanças de que ele fosse me enviar alguma noticia via Internet, mas o tempo passou e nada.
Um dia, uma carta.
Era dele, seu Tonho. E havia sido postada, dois dias antes. Abri correndo, ávido de suas palavras, sua filosofia etc mas o assunto era outro. Vou transcrevê-la para vocês:

“Como está você meu caro Gafanhoto?
Conte-me coisas boas. Andei caminhando por estes dias e aprendendo um pouco com as pedras que rolam pelos caminhos. Gosto muito do Raul Seixas, e você? Mas não é isso que quero conversar contigo. Também não é uma conversa, são palavras soltas procurando uma razão para existir. Talvez você me ajude nesta tarefa. Como você bem sabe, a sociedade nomeia as pessoas e as divide, em classes, segmentos, grupos etc. Um dos mais interessantes, para mim, é o formado pelos políticos. São seres realmente diferentes, especiais, com características únicas. Possuem o poder de transformar o óbvio em algo completamente oposto. Têm um poder de argumentação fantástico. Se por acaso dizem algo em uma campanha para se elegerem, tipo.......... SOU A FAVOR DE SE CORTAR ESTE IMPOSTO, POIS ELE ONERA A CLASSE TRABALHADORA – esse mesmo político anos depois ao ser questionado sobre sua mudança de posição argumenta ............NÓS TEMOS QUE TER HUMILDADE EM SEMPRE APRENDER, EM ABRIR NOSSA CABEÇA PARA COISAS NOVAS, E HOJE EU VEJO, QUE ESSE IMPOSTO PODE TRAZER MUITOS BENEFÍCIOS PARA A CLASSE TRABALHADORA.
Isso não é fantástico, Gafanhoto?
Agora veja uma outra situação!
Imagine que você está empregado em uma indústria. Para entrar você estudou, fez concurso, provas, entrevistas etc etc. Aí, um determinado dia, você se deixa levar pelas promessas de um fornecedor de matérias primas, e começa a dar preferência por aqueles insumos. E esta preferência vai crescendo de tal maneira que no seu aniversário você recebeu uma tv de plasma, no Natal uma moto e assim por diante. Um dia, a empresa descobre que você realmente privilegiou aquele fornecedor. O que acontece então? Você perde o emprego por justa causa e ainda fica queimado no mercado. Agora veja a mesma situação se você fosse um vereador, deputado, senador, ministro etc. Em primeiro lugar, seria mais difícil descobrir pois a burocracia existente dificultaria uma situação clara de suborno. Mesmo que fosse descoberto, você poderia dizer que não sabia a origem daquilo e muitas vezes até tentou devolver, mas as caixas chegavam fechadas, sem remetente. De repente parava um caminhão e deixava aquilo na sua porta. Poderia também dizer que aqueles presentes eram enviados por inimigos da Pátria. Gente da oposição que além de plantar mentiras, agora plantavam produtos em sua casa. Caso chegassem ao extremo de provar com fotos e gravações, que você realmente recebeu os presentes, restaria uma saída honrosa. Você pediria demissão do seu cargo público. O inquérito seria arquivado e você poderia concorrer novamente na próxima eleição. Um presidente do Senado, por exemplo, renuncia ao cargo e escapa de ser cassado.
Meu caro gafanhoto tente me explicar que eu não estou entendendo!
Ah, desta vez me escreva uma carta com suas próprias mãos. As pessoas usam tanto o computador que desaprendem a escrever com lápis e caneta.
Nas próximas pode escrever via e mail.
Anote aí por favor:
Um grande abraço.
Até breve.”

Pois é, esqueceu de colocar o e mail.E agora????

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