terça-feira, 13 de maio de 2008

DO YOU WANNA DANCE?

Pois é meu caro Seu Tonho, recebi finalmente seu e mail. Mais uma vez uma surpresa para mim. Por onde andas agora? Já arrumou um endereço fixo? Quando a gente vai se ver ao vivo novamente? Estou lhe enviando essa resposta porque não quero mais perder nosso contato. Apesar de recente, acho que muita coisa ainda pode rolar por baixo da "ponte" .

Foi assim que iniciei o e mail para o Seu Tonho. E não é que a resposta veio quase que na hora!!!!

"Meu querido amigo, depois que descobri a roda, ou melhor, a internet, muitas coisas mudaram em minha vida. Descobri um novo mundo, me senti Cristovão Colombo. Ontem realizei um daqueles desejos antigos. Fui ver um show ao vivo de um dos ícones de minha juventude: Johnny Rivers. Gosto muito de ir ao estes shows, muita gente, muitas "tribos", roupas guardadas no armário ha muito tempo ou aquelas novas que precisam parecer envelhecidas de alguma maneira pra todo mundo reconhecer que você é um dos deles. Mas neste show, as tribos eram apenas uma, um perfil homogêneo, fácil de identificar. O local parecia muito com aqueles onde astros antigos da música americana hoje se apresentam, com mesas ao invés de cadeiras e espaço para se locomover, para se soltar, para se mostrar. Para mim, show com garçons andando no meio das pessoas e um monte de mesas postadas lado a lado, é coisa para 5a idade. Quem vai a um show destes, vai para recordar, vai para dançar, para se emocionar. Mas a decepção maior aconteceu aonde não devia. No próprio show. Johnny esqueceu que ja foi apresentador de TV nos Estados Unidos durante anos. Cancha, bagagem, não lhe faltavam. Ele sabia, bem lá no fundo, que quem vai aos seus shows, quer ouvir as mesmas músicas que fizeram sucesso, quer sentir as mesmas notas vocais, as mesmas batidas da bateria, as mesmas introduções etc etc. Você vai para reviver uma época, você vai para voltar aos velhos tempos. E, nosso amigo resolveu inventar. Assim como Bob Dylan que canta hoje somente para si, interpreta suas musicas mais famosas de uma maneira que ninguém reconhece, parece que tudo isso faz parte do processo de auto não reconhecimento, ou seja, "cansei" de ser famoso, de interpretar sempre os mesmos sucessos e agora toco e canto da maneira que eu quiser. Um profundo desrespeito a quem paga caro para ver qualquer um desses artistas no palco. Ninguém vai a estes shows dinossauricos para ver lançamentos ou performances intermináveis sobre o mesmo tema. Havia momentos que esquecíamos até qual era a música que ele havia começado. Me lembrou Silvio Santos no seu Qual é a Música? E, houve também aquele descarado momento da saída antes da hora, tipo...........vou sair agora mas vocês vão bater palmas e aí eu entro como se nada tivesse sido combinado........ Coisa maçante, chata, sem sentido em tempos tão modernos. Mas....como falar de moderno em um show tão antigo.

Pra não dizer que não falei das flores, pra não dizer que não curti nada, mando pra você agora uma das letras do bom e antigo Johnny. Sei que tocas bem um violão. Aproveite. Enjoy. E, agora que nos achamos novamente, sempre estaremos up date por aí.

abraços mil

The show must go on.

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