Desta vez resolvi tomar a iniciativa. Não vou ficar mais esperando seu Tonho me procurar, me ligar, me escrever etc etc. Vou fazer a minha parte. Passo a bola para ele. Se ele quiser retornar, será maravilhoso. Caso contrário vai ficar por conta da sua consciência.
Estava curioso ao extremo para saber a opinião dele sobre um discurso que ouvi do Presidente do Brasil, sua Excelência Lula da Silva. Ao mesmo tempo, ficaria sabendo se seu Tonho continua atento ao que acontece nesse país. Eis meu e-mail:
“Prezado amigo, como estão as coisas. Ainda aguardo suas respostas ao e-mail anterior. Mas não terei pressa. Todo mundo tem seu tempo e o tempo de cada um pode ser diferente. Seu Tonho, esta semana vi uma declaração do Presidente Lula sobre a crise dos aeroportos, as companhias aéreas brasileiras etc. Não sei se foi um ufanismo exacerbado ou algo planejado mas.........fiquei com medo. Ela dizia, quase aos gritos, como se fosse o salvador da pátria, que “precisava ter uma conversa com os empresários do setor aéreo” e que quando voltasse ao Brasil, “ou as coisas se modificavam ou ele teria que criar uma aérea estatal” .
Pois é, seu Tonho, já vi este filme em algum lugar. Me parece mais do que uma ameaça, me parece sim uma intenção. O que você acha meu amigo?
Enviei o e-mail e, segundos após, a resposta veio. Intrigante mesmo esse seu Tonho. Estava plugado online. Boa surpresa esta!
E assim estava escrito”
“Prezado gafanhoto, conte-me coisas boas. Mas, boas de verdade, não estas histórias que acontecem naquele outro Brasil. Já lhe disse antes, nós temos dois Brasis. Um, feito por aqueles milhões de pessoas que trabalham incansavelmente, pessoas que levantam muitas vezes às 4 horas da manhã, pegam 3 e até 4 conduções, levam de 2 a 3 horas para chegar ao trabalho, pagam seus impostos e tentam sobreviver para levar um pouco de dignidade às suas vidas. O outro Brasil, é formado por grandes empresários inescrupulosos, por políticos de todos os escalões que envergonham toda uma sociedade.
Dono do conglomerado Synergy Group, com negócios nas áreas de petróleo e aviação, o empresário German Efromovich mantém relações próximas com a cúpula do governo e a do PT, a ponto de se vangloriar de ter Lula entre seus alunos de matemática no ABC 30 anos atrás.
Na semana passada, Efromovich anunciou que a OceanAir, a quarta colocada em participação no mercado doméstico, com uma fatia de 2,9% em outubro, se responsabilizaria pelo transporte dos passageiros que compraram pacotes de viagem na PNX com vôos da BRA.
Analistas ouvidos pela Folha avaliam que a oferta de Efromovich pode ser a grande chance de a empresa ganhar mercado. O empresário foi o único que já foi recebido em audiência pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. O ministro já fez críticas diretas ao modelo de duopólio TAM-Gol, no mercado doméstico de aviação.
"As grandes empresas estão de orelha em pé, querendo saber o que vai acontecer. Ele tem boa "entrada" com o governo e criou um "crédito" significativo ao aceitar transportar esses passageiros. Isso mostra a crueldade do duopólio no país", afirma o consultor em aviação Paulo Bittencourt Sampaio...........................”
Mais adiante, caro gafanhoto, o texto assim prosseguia : “Efromovich reclamava havia meses da atuação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e dizia que a agência protegia o duopólio. Afirmava que a estratégia da OceanAir para ganhar mercado se daria por meio de rotas alternativas porque não havia como lidar com a "concorrência predatória".
Enquanto a nova diretoria da agência não toma posse, Efromovich resolveu recorrer ao próprio ministro. A expectativa é que a OceanAir seja beneficiada com as linhas da BRA.
Judeu, filho de sobreviventes de origem polonesa do campo de extermínio de Treblinka, Efromovich tem fama de "brigão". É do tipo que fala muito, sempre com gestos largos e o sotaque de emigrante boliviano que chegou ao país com 13 anos. Gosta de vangloriar-se de ter acesso direto à toda-poderosa Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil.
Já a relação com o presidente Lula data de três décadas, quando o metalúrgico assistia a suas aulas de matemática num cursinho oferecido pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
"Ele [Lula] tem muito valor", costuma dizer Efromovich, que também é amigo de Roberto Teixeira, advogado compadre do presidente e um dos lobistas mais ativos do setor aéreo.
Em outro artigo que andei pesquisando em jornais e revistas, peguei mais este pedacinho:
“O portfólio de empresas de Efromovich inclui a Marítima, que atua na área de petróleo, e os estaleiros Mauá e Eisa. As atenções do empresário, no entanto, concentram-se atualmente no setor de aviação. Além da OceanAir, ele é dono da Avianca (Colômbia), de empresas aéreas no Peru e no Equador e prepara-se para entrar no continente africano.
Pouco depois de Lula apelar por vôos diretos entre o Brasil e a África, a OceanAir pretende iniciar uma linha para a cidade de Lagos, na Nigéria.
A OceanAir começou explorando rotas usadas pelos funcionários da Petrobras, como a Rio-Macaé, como uma pequena empresa de táxi aéreo.
A elevação da OceanAir à categoria de empresa de aviação regular exemplifica a personalidade do empresário. Impressionado com os baixos preços de aviões Fokker-100, que estavam parados no deserto nos EUA, decidiu compor a frota com esse modelo de aeronave, apesar dos conselhos de que o avião tinha má fama no Brasil por estar associado a diversos acidentes na década anterior. Não deu ouvidos a ninguém. A OceanAir tem hoje encomendas de aeronaves A-320 para expansão das linhas. Os planos de expansão incluem ainda a compra de ativos da Vasp, que está em recuperação judicial.
Na Colômbia, por ter comprado a Avianca -"Pegamos essa empresa na lona", diz ele, com orgulho- ganhou de presente do presidente Álvaro Uribe, a quem reserva os mais efusivos elogios, mais uma cidadania, a colombiana. A Avianca é uma das empresas mais tradicionais da América Latina -foi fundada em 1919.”
Mas, veja só amigo gafanhoto, ao mesmo tempo em que essa ilustre personalidade se aproveita das benesses do governo com acesso a líderes políticos, ele também joga suas cartas para colocar mais dinheiro no bolso: “ A mais notória confusão empresarial de Efromovich é uma disputa internacional com a Petrobras, que se arrasta desde o início da década. O empresário quer indenização de US$ 8 bilhões. Reclama ainda de ser perseguido e excluído de licitações.
As queixas, segundo seus adversários, são descabidas. Quem não gosta de Efromovich lembra, com certo veneno, que ele tinha excelente trânsito na petrolífera durante meados da década de 90, sob a gestão tucana, mais especificamente a de Joel Rennó. Nas vacas gordas, a carteira de negócios do empresário com a Petrobras ultrapassava US$ 2 bilhões.
Afirmações como essa fazem os olhos de Efromovich ficarem miúdos por trás dos óculos e são devolvidas em forma de palavrões ou de um silêncio contínuo. É o que também acontece quando alguém menciona um de seus muitos desafetos.
Para desespero de seus assessores, todos escolhidos a dedo entre ex-funcionários da Petrobras, Efromovich gosta de rejeitar acordos e tentativas de conciliação, a despeito de, no passado, ter acionado sua rede de contatos oficiais.
No início do governo Lula, foi recebido por Dilma, então ministra de Minas e Energia, que ouviu suas reclamações e imediatamente telefonou para o então presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, pedindo atenção aos pleitos do empresário. De nada adiantou. "Esses contatos no governo não resolvem nada", diz o empresário.
Apesar do discurso para fora, Efromovich tem o hábito de investir pesado em áreas que dependem de concessão do governo, como a de exploração de petróleo. Diz que o ambiente para seus negócios melhorou sensivelmente durante o governo petista.”
Dizem ainda as matérias recolhidas que “Efromovich conseguiu reconstruir as relações com a Petrobras nos últimos anos, depois de se tornar sócio majoritário do estaleiro Mauá, citado na operação Águas Profundas, da Polícia Federal......de acordo com a investigação, o Mauá integraria um esquema envolvendo o pagamento de propinas a funcionários da Petrobras, centralizado pela empresa Angraporto. Para o empresário, tudo não passa de um esquema armado por grandes empresas para atrapalhar as atividades de sua companhia.”
Depois de ler tudo isso caro gafanhoto, eu fecho essa mensagem com uma manchete que me deixou aturdido”
Ocean Air vai demitir 600 funcionários
Plantão Publicada em 12/05/2008 às 20h33m
Erica Ribeiro - O Globo
RIO - A companhia aérea OceanAir vai demitir 600 dos 1700 funcionários por conta de um plano de reestruturação que inclui a redução da frota e do número de rotas. No Rio serão descontinuados os vôos para Macaé e Campos. Além disso, também serão retirados da malha vôos para cidades como Natal, Araçatuba,Juiz de Fora e Uberaba.
O motivo, segundo a empresa, é que as rotas não são rentáveis. A empresa vai reduzir de 16 para 10 o número de aviões e passará a ter a frota operando apenas com aviões Fokker 100 (que são chamdos pela empresa de MK-28). O número de destinos no país também será reduzido de 37 para 25. A ponte aérea Rio-São Paulo será mantida.
De acordo com a empresa, a partir de 2009 serão entregues à OceanAir as primeiras aeronaves Airbis modelos A319, A320 e A330, de um total de 28 compras firmes. O objetivo é voltar a crescer a partir do ano que vem. No momento, segundo a empresa, foi necessário reduzir operações para garantir a competitividade. ...”
Ao mesmo tempo em que dispensa funcionários, este empresário, que foi recebido pelo Presidente Lula e citado como exemplo de empreendedor, anunciou a disposição de ressuscitar outra companhia aérea quebrada.Trata-se da Transbrasil, cujo acionista majoritário, Celso Cipriani, é acusado de tê-la levado à virtual falência, além de estar envolvido no escândalo do Banestado e de ter sido denunciado pela remessa ilegal de US$ 35 milhões para o exterior. Divulgada pelo jornal Valor, a notícia dá conta de que Efromovich apresentará ao Departamento de Aviação Civil (DAC), na próxima semana, um "plano de negócios" para converter a Transbrasil, cujo passivo é de US$ 1 bilhão, numa companhia de transporte internacional de cargas. No começo do ano, a Transbrasil e a Ocean Air haviam apresentado ao governo um "acordo de cooperação". A idéia agora é que a Ocean Air realize os investimentos necessários e a Transbrasil entre com sua marca e os espaços que mantém nos aeroportos.Quando deixou de voar, em 2001, a Transbrasil tinha a concessão de 14 terminais de carga, 6 hangares, 78 balcões e 31 áreas administrativas. Apesar de seus esforços para retomá-los, o máximo que a Infraero conseguiu recuperar foram 12 balcões e 3 áreas administrativas. Isto após uma surpreendente negociação por meio da qual a Transbrasil, numa inversão de papéis, cedeu ao poder público o direito de uso de dois terminais, em Guarulhos e Manaus, e de um hangar, em Congonhas.Nos meios empresariais a associação entre uma empresa aérea pequena e sem tradição e o espólio de uma companhia quebrada tem sido vista com reservas. Além disso, a assessoria jurídica da Infraero já teria dado um parecer contrário à formalização do negócio. Mesmo assim, seus advogados estariam sendo pressionados a voltar atrás e avalizar a operação. Por sua vez, dirigentes da Transbrasil e da Ocean Air também já teriam conversado com funcionários da Casa Civil da Presidência, para vencer as resistências contrárias aos seus planos.Essa movimentação partiria do arquiteto do negócio, o advogado Roberto Teixeira, ex-membro do Conselho de Administração da Transbrasil, um dos mais próximos amigos do presidente da República e padrinho de seu filho mais moço. Proprietário do apartamento em São Bernardo onde Lula morou durante oito anos, sem pagar aluguel, e do sítio em Monte Alegre do Sul que, antes de chegar ao Palácio do Planalto, Lula freqüentava em seus momentos de descanso, "compadre" Teixeira já foi acusado de promover operações imobiliárias nebulosas no ABC, de montar empresas para firmar contratos sem licitação com prefeituras dirigidas pelo PT e de estar envolvido no escândalo do Banestado.Nos últimos meses, Teixeira teria sido recebido em audiência pela direção da Infraero e feito peregrinações a gabinetes do primeiro escalão, em Brasília. Além disso, também teria solicitado ao Ministério da Defesa a publicação de um despacho do Comando da Aeronáutica que concederia à Transbrasil o direito de voltar a voar.Por tudo isso, a possível associação entre essa companhia e a Ocean Air não é apenas um negócio entre empresas. Dada a fama e o currículo dos envolvidos e a intermediação direta de um "compadre" do presidente nesse negócio, ele também tem profundas implicações políticas. Para afastar eventuais denúncias de tráfico de influência e evitar respingos em sua imagem, Lula deve proibir imediatamente seus subordinados de receber o "compadre" Teixeira e de endossar o veto da Infraero ao negócio por ele proposto.
Chega por hoje gafanhoto! Vou relaxar um pouco, respirar um ar puro pois depois de ler e tentar entender toda esta história, eu me lembro das palavras de Ruy Barbosa que ocupou o cargo de Ministro da Fazenda no Ministério do Governo Provisório (1889 – 1891) presidido por Deodoro da Fonseca. Em seu discurso no senado em 1914, Ruy disse:
Vergonha
"A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação.
A sua grande vergonha diante do estrangeiro, é aquilo que nos afasta os homens, os auxílios, os capitais.
A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas.
De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.
Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime (na Monarquia), o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto (o Imperador, graças principalmente a deter o Poder Moderador), guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade"
Até a próxima, gafanhoto. E, por favor, conte-me coisas boas!
quinta-feira, 29 de maio de 2008
quarta-feira, 14 de maio de 2008
terça-feira, 13 de maio de 2008
DO YOU WANNA DANCE?
Pois é meu caro Seu Tonho, recebi finalmente seu e mail. Mais uma vez uma surpresa para mim. Por onde andas agora? Já arrumou um endereço fixo? Quando a gente vai se ver ao vivo novamente? Estou lhe enviando essa resposta porque não quero mais perder nosso contato. Apesar de recente, acho que muita coisa ainda pode rolar por baixo da "ponte" .
Foi assim que iniciei o e mail para o Seu Tonho. E não é que a resposta veio quase que na hora!!!!
"Meu querido amigo, depois que descobri a roda, ou melhor, a internet, muitas coisas mudaram em minha vida. Descobri um novo mundo, me senti Cristovão Colombo. Ontem realizei um daqueles desejos antigos. Fui ver um show ao vivo de um dos ícones de minha juventude: Johnny Rivers. Gosto muito de ir ao estes shows, muita gente, muitas "tribos", roupas guardadas no armário ha muito tempo ou aquelas novas que precisam parecer envelhecidas de alguma maneira pra todo mundo reconhecer que você é um dos deles. Mas neste show, as tribos eram apenas uma, um perfil homogêneo, fácil de identificar. O local parecia muito com aqueles onde astros antigos da música americana hoje se apresentam, com mesas ao invés de cadeiras e espaço para se locomover, para se soltar, para se mostrar. Para mim, show com garçons andando no meio das pessoas e um monte de mesas postadas lado a lado, é coisa para 5a idade. Quem vai a um show destes, vai para recordar, vai para dançar, para se emocionar. Mas a decepção maior aconteceu aonde não devia. No próprio show. Johnny esqueceu que ja foi apresentador de TV nos Estados Unidos durante anos. Cancha, bagagem, não lhe faltavam. Ele sabia, bem lá no fundo, que quem vai aos seus shows, quer ouvir as mesmas músicas que fizeram sucesso, quer sentir as mesmas notas vocais, as mesmas batidas da bateria, as mesmas introduções etc etc. Você vai para reviver uma época, você vai para voltar aos velhos tempos. E, nosso amigo resolveu inventar. Assim como Bob Dylan que canta hoje somente para si, interpreta suas musicas mais famosas de uma maneira que ninguém reconhece, parece que tudo isso faz parte do processo de auto não reconhecimento, ou seja, "cansei" de ser famoso, de interpretar sempre os mesmos sucessos e agora toco e canto da maneira que eu quiser. Um profundo desrespeito a quem paga caro para ver qualquer um desses artistas no palco. Ninguém vai a estes shows dinossauricos para ver lançamentos ou performances intermináveis sobre o mesmo tema. Havia momentos que esquecíamos até qual era a música que ele havia começado. Me lembrou Silvio Santos no seu Qual é a Música? E, houve também aquele descarado momento da saída antes da hora, tipo...........vou sair agora mas vocês vão bater palmas e aí eu entro como se nada tivesse sido combinado........ Coisa maçante, chata, sem sentido em tempos tão modernos. Mas....como falar de moderno em um show tão antigo.
Pra não dizer que não falei das flores, pra não dizer que não curti nada, mando pra você agora uma das letras do bom e antigo Johnny. Sei que tocas bem um violão. Aproveite. Enjoy. E, agora que nos achamos novamente, sempre estaremos up date por aí.
abraços mil
The show must go on.
Foi assim que iniciei o e mail para o Seu Tonho. E não é que a resposta veio quase que na hora!!!!
"Meu querido amigo, depois que descobri a roda, ou melhor, a internet, muitas coisas mudaram em minha vida. Descobri um novo mundo, me senti Cristovão Colombo. Ontem realizei um daqueles desejos antigos. Fui ver um show ao vivo de um dos ícones de minha juventude: Johnny Rivers. Gosto muito de ir ao estes shows, muita gente, muitas "tribos", roupas guardadas no armário ha muito tempo ou aquelas novas que precisam parecer envelhecidas de alguma maneira pra todo mundo reconhecer que você é um dos deles. Mas neste show, as tribos eram apenas uma, um perfil homogêneo, fácil de identificar. O local parecia muito com aqueles onde astros antigos da música americana hoje se apresentam, com mesas ao invés de cadeiras e espaço para se locomover, para se soltar, para se mostrar. Para mim, show com garçons andando no meio das pessoas e um monte de mesas postadas lado a lado, é coisa para 5a idade. Quem vai a um show destes, vai para recordar, vai para dançar, para se emocionar. Mas a decepção maior aconteceu aonde não devia. No próprio show. Johnny esqueceu que ja foi apresentador de TV nos Estados Unidos durante anos. Cancha, bagagem, não lhe faltavam. Ele sabia, bem lá no fundo, que quem vai aos seus shows, quer ouvir as mesmas músicas que fizeram sucesso, quer sentir as mesmas notas vocais, as mesmas batidas da bateria, as mesmas introduções etc etc. Você vai para reviver uma época, você vai para voltar aos velhos tempos. E, nosso amigo resolveu inventar. Assim como Bob Dylan que canta hoje somente para si, interpreta suas musicas mais famosas de uma maneira que ninguém reconhece, parece que tudo isso faz parte do processo de auto não reconhecimento, ou seja, "cansei" de ser famoso, de interpretar sempre os mesmos sucessos e agora toco e canto da maneira que eu quiser. Um profundo desrespeito a quem paga caro para ver qualquer um desses artistas no palco. Ninguém vai a estes shows dinossauricos para ver lançamentos ou performances intermináveis sobre o mesmo tema. Havia momentos que esquecíamos até qual era a música que ele havia começado. Me lembrou Silvio Santos no seu Qual é a Música? E, houve também aquele descarado momento da saída antes da hora, tipo...........vou sair agora mas vocês vão bater palmas e aí eu entro como se nada tivesse sido combinado........ Coisa maçante, chata, sem sentido em tempos tão modernos. Mas....como falar de moderno em um show tão antigo.
Pra não dizer que não falei das flores, pra não dizer que não curti nada, mando pra você agora uma das letras do bom e antigo Johnny. Sei que tocas bem um violão. Aproveite. Enjoy. E, agora que nos achamos novamente, sempre estaremos up date por aí.
abraços mil
The show must go on.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
DE VOLTA À VIDA EM CIMA DA PONTE
Achei que jamais voltaria a receber notícias, telefonema ou um e mail sequer. Seu Tonho havia ido embora. Definitivamente. Sentia falta mas nao podia fazer nada. Não tinha seu endereço, telefone, nada que pudesse localizá-lo. Pensei comigo: "melhor assim". Estava começando a sentir sua falta e me apegando a ele. Aí, numa noite, bem tarde, me chega um e mail. Pois é, um e mail do Seu Tonho. Antes de abri-lo, peguei um whisky com bastante gelo. Sabia que a coisa ia ser boa. Havia um anexo, sinal de que as novidades eram muitas. Eis o que Seu Tonho agora me escrevia:
"De repente decidi ir embora. Largar tudo. Começar de novo como diria o poeta. E saí por aí viajando. Achava que não tinha compromisso com ninguém. Era livre leve e solto. Queria me sentir um hippie novamente, lembrar dos tempos em que "sem lenço nem documento" pegava as estradas e segui sem rumo. Que engano meu amigo! Claro que você ainda encontra muita aventura por estes mundos afora, mas elas não são mais do tipo que eu preciso ter. Outras pessoas certamente irão fazê-las e senti-las por mim. Lembrei-me de você e me senti, de alguma maneira, responsável por este nosso início de amizade. Percebi que ainda tinha muita coisa para trocar com os outros seres de todos os planetas. Voltei a ler jornais e revistas, a ver televisão, ir ao cinema, procurei novos livros e me aproximei do webworld, o mundo fascinante da internet. Criei até um e mail: umabrasamora@hotmail.com. Meio louco não? Mas para o primeiro passo, até que está bom demais você não acha?
E você? o que anda fazendo? Esses dias todos fiquei aqui cismando com um assunto que me deixou atordoado. Você já ouviu falar em concorrências para obras públicas, certo? Tipo vão construir uma ponte, um viaduto, uma estrada etc e a empresa que apresentar o melhor preço para o melhor projeto, ganha a concorrência. Até aí tudo normal. Mas peguei o exemplo de uma ponte que ficou pronta estes dias, e que sempre achei que a Avenida que lhe dava nome era Àgua Espraiada e somente agora fiquei sabendo que é Água Estaiada. Ainda vou descobrir porque. Bem, a tal ponte, um marco de arquitetura para muitos, teve a concorrência encerrada para sua construção em 2002 e uma empresa chamada OAS venceu com um projeto que previa gastos de R$ 146,9 milhões e prometia entregá-la no final de 2005. Ficou pronta somente agora e os custos foram para mais de R$ 260 milhoes de reais. Segundo as autoridades envolvidas, essa diferença de preço deveu-se a "aditamentos normais". Eu fico aqui tentando entender a beleza da lingua portuguesa. E vou tentar fazer o mesmo. Faz de conta que sou engenheiro e você quer construir uma garagem coberta em sua casa. Eu faço o projeto e dou o custo final em R$ 16 mil reais. Outros dois engenheiros apresentam custos maiores e, portanto, eu ganho a concorrência. Você vai viajar e eu digo que na volta da sua viagem, daqui a dois meses, ela estará pronta. Quando você retorna, eu digo que agora a garagem agora ficou em R$ 29 mil reais em função dos "aditamentos normais". Aí você lembra que os dois perdedores tinham custos de R$ 21 mil e R$ 23 mil reais. Ou seja, eles teriam ganho de mim se eu tivesse sido justo, leal e honesto. Com essa história de "aditamento" eu simplesmente MENTI para ganhar a concorrência. E agora, como fica a história desta ponte e de tantas outras pontes, estradas, praças, viadutos etc etc que diariamente são construídas com nosso dinheiro e seus custos sempre são "aditados"?
Estou pensando sobre isso. Por favor meu caro amigo, me ajude a entender a beleza da lingua portuguesa, onde as palavras mudam de significado dependendo dos interesses de cada um.
Ah! me avise se recebeu esse e mail. Agora tomei gostinho pela coisa. Abraço grande. Inté mais.
"De repente decidi ir embora. Largar tudo. Começar de novo como diria o poeta. E saí por aí viajando. Achava que não tinha compromisso com ninguém. Era livre leve e solto. Queria me sentir um hippie novamente, lembrar dos tempos em que "sem lenço nem documento" pegava as estradas e segui sem rumo. Que engano meu amigo! Claro que você ainda encontra muita aventura por estes mundos afora, mas elas não são mais do tipo que eu preciso ter. Outras pessoas certamente irão fazê-las e senti-las por mim. Lembrei-me de você e me senti, de alguma maneira, responsável por este nosso início de amizade. Percebi que ainda tinha muita coisa para trocar com os outros seres de todos os planetas. Voltei a ler jornais e revistas, a ver televisão, ir ao cinema, procurei novos livros e me aproximei do webworld, o mundo fascinante da internet. Criei até um e mail: umabrasamora@hotmail.com. Meio louco não? Mas para o primeiro passo, até que está bom demais você não acha?
E você? o que anda fazendo? Esses dias todos fiquei aqui cismando com um assunto que me deixou atordoado. Você já ouviu falar em concorrências para obras públicas, certo? Tipo vão construir uma ponte, um viaduto, uma estrada etc e a empresa que apresentar o melhor preço para o melhor projeto, ganha a concorrência. Até aí tudo normal. Mas peguei o exemplo de uma ponte que ficou pronta estes dias, e que sempre achei que a Avenida que lhe dava nome era Àgua Espraiada e somente agora fiquei sabendo que é Água Estaiada. Ainda vou descobrir porque. Bem, a tal ponte, um marco de arquitetura para muitos, teve a concorrência encerrada para sua construção em 2002 e uma empresa chamada OAS venceu com um projeto que previa gastos de R$ 146,9 milhões e prometia entregá-la no final de 2005. Ficou pronta somente agora e os custos foram para mais de R$ 260 milhoes de reais. Segundo as autoridades envolvidas, essa diferença de preço deveu-se a "aditamentos normais". Eu fico aqui tentando entender a beleza da lingua portuguesa. E vou tentar fazer o mesmo. Faz de conta que sou engenheiro e você quer construir uma garagem coberta em sua casa. Eu faço o projeto e dou o custo final em R$ 16 mil reais. Outros dois engenheiros apresentam custos maiores e, portanto, eu ganho a concorrência. Você vai viajar e eu digo que na volta da sua viagem, daqui a dois meses, ela estará pronta. Quando você retorna, eu digo que agora a garagem agora ficou em R$ 29 mil reais em função dos "aditamentos normais". Aí você lembra que os dois perdedores tinham custos de R$ 21 mil e R$ 23 mil reais. Ou seja, eles teriam ganho de mim se eu tivesse sido justo, leal e honesto. Com essa história de "aditamento" eu simplesmente MENTI para ganhar a concorrência. E agora, como fica a história desta ponte e de tantas outras pontes, estradas, praças, viadutos etc etc que diariamente são construídas com nosso dinheiro e seus custos sempre são "aditados"?
Estou pensando sobre isso. Por favor meu caro amigo, me ajude a entender a beleza da lingua portuguesa, onde as palavras mudam de significado dependendo dos interesses de cada um.
Ah! me avise se recebeu esse e mail. Agora tomei gostinho pela coisa. Abraço grande. Inté mais.
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